Registro Visual
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MJFL-2012-11-0056Baixar
Retrato (pintura) de Francisco Antônio Vieira Caldas Júnior. Homem branco sentado, com cabelos e bigode escuros, representado em meio corpo, seu corpo está levemente virado para à direita do observador. Utiliza blazer, colete e gravata de coloração preta e camisa branca. Ao fundo apresenta uma coloração degradê esverdeada.
Coleção
Número de Registro
MJFL-2012-11-0056
Denominação
Título
Francisco Antônio Vieira Caldas Júnior
Tipo de título
Autoria
Classificação
06 Objetos de Atividades Artísticas > 6.6 Objetos Associados às Artes Plásticas e ao Desenho Técnico > 6.6.2 Obra final > 6.6.2.3 Pinturas
Descrição
Retrato (pintura) de Francisco Antônio Vieira Caldas Júnior. Homem branco sentado, com cabelos e bigode escuros, representado em meio corpo, seu corpo está levemente virado para à direita do observador. Utiliza blazer, colete e gravata de coloração preta e camisa branca. Ao fundo apresenta uma coloração degradê esverdeada.
Dimensões
Largura (cm)
59,7
Altura (cm)
75,6
Material / Técnica
madeira | tela | tinta a óleo
Comentários/Dados Históricos
PHOTO FERRARI
O Ateliê Ferrari iniciou suas atividades no século XIX, fundado pelo italiano Rafael Ferrari. O primeiro estúdio estava localizado na rua da Ponte, atual rua Riachuelo, em 1883 mudou-se para a rua Duque de Caxias, em 1900 foi transferido para a rua da Praia, atual rua dos Andradas, ponto cobiçado pelos comerciantes neste período.
Inicialmente, a principal atividade do estúdio era a produção de retratos. Em 1885 Rafael Ferrari se aposentou, e o ateliê passou a ser cuidado pelos seus filhos Carlos, Jacinto e Rafael. Com a nova administração o ateliê passou a se chamar Photographia Ferrari & Irmão, produziram álbuns fotográficos, em que retrataram a cidade de Porto Alegre a partir de suas ruas, edifícios, jardins, entre outros espaços.
Com a concorrência de outros estúdios, principalmente o de Virgílio Calegari e a perda de clientes, a sociedade entre os irmãos se desfez em 1905.
VICENZO CERVÁSIO
Vicenzo Cervásio foi um pintor reconhecido em Porto Alegre entre o final do século XIX e início do século XX. Estudou na Academia de Belas-Artes de Nápoles e trabalhou na Argentina e Uruguai até fixar-se em Porto Alegre.
Também atuou como professor do Instituto de Belas-Artes (atual Instituto de Artes da UFRGS). Participou da Exposição Estadual de 1901, quando apresentou diversos trabalhos, que exibiam aspectos naturais e sociais do Rio Grande do Sul.
Trabalhou no atelier Calegari, onde tinha como função pintar as fotos em preto e branco e realizar retratos, pintados com tinta a óleo, executados com base em uma fotografia.
FRANCISCO ANTÔNIO VIEIRA CALDAS JÚNIOR (1868 - 1913)
Nasceu em Neópolis, município de Sergipe, em 13 de dezembro de 1868. Filho de Francisco Antônio Vieira Caldas e Maria Emília Wanderley, veio com a família para Santo Antônio da Patrulha. Ainda menino, Caldas Junior transferiu-se para Porto Alegre, onde concluiu o secundário em Porto Alegre no Colégio São Pedro em 1883.
Com pouco mais de 17 anos iniciou no jornalismo, trabalhando como revisor e noticiarista do jornal Reforma. Em 1885, foi promovido a redator e atuou ao lado de celebridades como Carlos von Koseritz e Antônio Lara da Fontoura Palmeiro, entre outros. Em 1888, por indicação do conselheiro Gaspar da Silveira Martins, Caldas Junior tornou-se diretor do Reforma e se manteve nesse cargo até 1891. Nesse mesmo ano assumiu a função de redator-chefe do Jornal do Comércio, onde trabalhou ao lado dos jornalistas Aquiles Porto Alegre e Aurélio Bittencourt.
Casou com Mimosa Porto Alegre, (filha de Aquiles Porto Alegre) depois com Dolores Alcaraz Caldas, que administrou o Correio do Povo depois de sua morte. Teve três filhos: Fernando Caldas, do primeiro casamento, Breno Caldas e Ruth Caldas, estes dois do segundo casamento.
Em 1895 deixou o cargo de redator-chefe do Jornal do Comércio e fundou o jornal Correio do Povo, atuou como diretor do mesmo até falecer. Caldas Júnior pertenceu à Academia Rio-Grandense de Letras, primeira fase. Utilizou o pseudônimo de Tenório.
Foi aprovado como Irmão em 10 de setembro de 1908, tomou posse em 15 de setembro de 1908. Admitido gratuitamente por deliberação da Mesa em sessão de 10 de setembro de 1908.
Faleceu aos 45 anos de idade, a 9 de abril de 1913, está sepultado no Cemitério Santa Casa em Porto Alegre.
Conforme Relatório da Provedoria de 1909, o quadro foi encomendado em agradecimento à Caldas Jr. por ter feito uma doação em dinheiro para a Santa Casa. Conforme pode ser verificado no seguinte trecho:
"Como previa em meu ultimo relatorio, foi além de meus calculos, assim como de todos que se interessam pelo engrandecimento desta instituição, a subspcrição lançada pela humanitaria redacção do jornal Correio do Povo para com producto da mesma auxiliar esta administração na construcção de pavilhões e em tudo quanto precizo fosse no melhoramento do hospital. A importancia de 103:472$900 réis que me foi entregue, pessoalmente, em 1º de Setembro, pelo philantropico redactor e proprietario da alludida folha, Sr. Francisco Antonio Vieira Caldas Junior, conservei depositada no Banco do Commercio, e nessa ocasião, em palestra que em conjuncto mantivemos, apresentei-lhe em nome da Meza administrativa e dos desherdados da fortuna os meus cordiaes agradecimentos. Esta avultada collecta, que representa a magnanimidade de treze mil cento sessenta e cinco subscriptores, vem ainda uma vez demonstrar a confiança que a população deste Estado deposita nos portadores do governo desta irmandade. Levando esse facto ao conhecimento da Meza administrativa, em sessão de 11 de Dezembro, esta, de accordo com o que estatúe nosso Compromisso, conferiu-lhe o diploma de Irmão Benemérito. Cumprindo a disposição do art. 33 do mesmo Compromisso vou mandar tirar o retrato do referido irmão, para ser collocado na sala das sessões, destinada tambem a este fim."
A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre foi criada em 1814 para conduzir a Santa Casa, que havia sido criada como ”Hospital de Caridade em 1803” e ainda não tinha saído do papel.
Participavam da Irmandade os homens de proeminência social e de condições financeiras abastadas, que contribuíam com a manutenção da Instituição.
O cargo mais elevado dentro da instituição é o de Provedor – figura de autoridade e liderança. O Provedor, assim como os Irmãos não são remunerados por sua atuação na Irmandade.
Os Irmãos eleitos para a Mesa Administrativa participam ativamente da administração, sob a liderança do Provedor. Atualmente, a atuação da Irmandade conta com os Mesários Efetivos, os Conselheiros Fiscais Efetivos e os Conselheiros Consultivos, que atuam diretamente com os diretores da Instituição.
Ex-provedores e Irmãos Benfeitores (aqueles que contribuíam com a Instituição, realizando doações de grandes somas) foram homenageados com a produção de retratos expostos no Salão Nobre da Santa Casa. Atualmente, o Salão fica situado junto à Direção Executiva da Santa Casa, em local restrito, onde quadros permanecem expostos.
Referências
CONEDERA, Leonardo de Oliveira. Ferrari, Calegari e Mancuso: lentes italianas sobre o Rio Grande do Sul. Oficina do Historiador (outubro 19, 2014): 773–786. PUCRS, 2014. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/oficinadohistoriador/issue/view/881. Acesso em 10 de outubro de 2024. | ETCHEVERRY, Carolina Martins. Visões de Porto Alegre nas fotografias dos irmãos Ferrari (c.1888) e de Virgilio Calegari (c. 1912). 2007. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) – Instituto de Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/11173. Acesso em 10 de outubro de 2024. | SANTOS, A. R. A fotografia e as representações do corpo contido (Porto Alegre 1890- 1920).2v. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) – Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Instituto de Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1997. | Caldas Júnior. Biblioteca Digital de Literatura de Países Lusófonos, c. 2022. Disponível em: https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/autores/?id=524. Acesso em: 17 out. 2022. | RAMOS, Tibério Vargas. Correio do Povo, o jornal influente do Estado em 1952. FAMECOS/Memória, 2015. Disponível em: http://projetos.eusoufamecos.net/memoria/correio-do-povo-o-jornal-influente-do-estado-em-1952/. Acesso em: 17 out. 2022. Relatório da Provedoria, 1909. Pág. 6. | SILVA, Juremir Machado da. Caldas Júnior: o criador do moderno jornalismo gaúcho, 2020. Correio do Povo. Disponível em: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/caldas-j%C3%BAnior-o-criador-do-moderno-jornalismo-ga%C3%BAcho-1.490167. Acesso em: 17 out. 2022. | Livro de Entrada de Irmãos nº 7, p 1 | Provedores irmãos e irmãs da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre [recurso eletrônico] : registros de histórias (1803-2023). – Porto Alegre : ISCMPA, 2024. 75.5 Mb ; ePUB. Disponível em: https://www.chcsantacasa.org.br/wp-content/uploads/2024/11/volume-ii.pdf. Acesso em 25 de novembro de 2024. | PUFAL, Diego de Leão. A Irmandade da Santa Casa de Porto Alegre: Primórdios, curiosidades e ‘Homens Bons’. In: Centro Histórico-Cultural Santa Casa; Histórias Reveladas Vol. III. Porto Alegre: EVANGRAF, 2013. | ELTZ, Amanda Mensch. Entre a gratidão e o poder: uma coleção de retratos pintados da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Dissertalção (Mestrado) 164f. 2019.
Palavras-chave
Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre | Irmão Benemérito | Jornal Correio do Povo | Pintura | Retrato pictórico
Ano de produção
1910
Condições de reprodução
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